:: 02 DE ABRIL DE 2009 ::

:: Fonte: www.giropeloestado.blogspot


Construída na década de 1980 e até hoje ostentando a condição de maior reservatório artificial de água do Rio Grande do Norte, a barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, cuja bacia hidráulica abrange os municípios de Itajá, São Rafael e Jucurutu, pode registrar em 2009 o maior nível de vazão de sua história.
Dependendo do ritmo e intensidade do inverno, a lâmina de 4,50 metros de sangria máxima, verificada em 1985, pode vir a ser superada.
Na manhã da última terça-feira, a barragem apresentou uma lâmina d'água de 2,23 metros, de acordo com indicadores oficiais divulgados pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs).
A barragem de Curemas-Mãe D'Água, localizado no estado da Paraíba e que se constitui num dos principais afluentes do reservatório, sangrava na manhã de terça-feira com uma lâmina de 68 centímetros. O prognóstico para ambos é de que o nível de sangria continue se elevando.
PREOCUPAÇÕES
O crescimento da capacidade de água do rio Piranhas-Açu também provoca desconforto para outras cidades como Assú, Pendências e Alto do Rodrigues.
Nestas cidades os governos municipais já diligenciam com o propósito de formalizar a decretação de situação de emergência em razão da enchente que se verificou em vários setores.
"Em Assú, a principal dificuldade que o inverno está trazendo são os alagamentos que estão se observando mais nitidamente na região da várzea, e muita gente já está isolada pela água", ilustrou o engenheiro agrônomo Paulo César de Brito, secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca de Assú e presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil.
Recorde atual aconteceu em 1985
Segundo números revelados pelo Dnocs, a barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves registrou no dia 10 de abril de 1985 a cota máxima de 59,50, o que significou um volume total de 3 bilhões e 400 milhões de metros cúbicos de água - um bilhão de metros cúbicos além de sua capacidade de armazenamento.
Naquela oportunidade sua sangria atingiu 4,50 metros, desempenho nunca mais ultrapassado. A segunda melhor marca foi observada no dia 5 de abril de 2008, quando registrou a cota 59,22 - correspondendo a um volume global de 3 bilhões e 330 milhões de metros cúbicos - sangria de 4,22 metros.
Se por um lado gera um espetáculo incomum para milhares de pessoas que a visitam diariamente, a sangria da barragem provoca preocupação por conta dos problemas que surgem por conta do aumento da capacidade de água do rio Piranhas-Açu.
A expansão da massa hídrica é motivo de transtorno para centenas de pessoas que são domiciliados nas imediações do rio. Uma das situações mais aflitivas é observada no município de Ipanguaçu.
A cidade é cercada por dois mananciais: o próprio rio Piranhas-Açu e o rio Pataxó. Este, alimentado pela sangria do açude homônimo, que ontem registrou uma lâmina de 50 centímetros, levou a decretação de situação de emergência por conta da inundação que afetou vários setores rurais e urbanos.